Grau 1:
as veias são palpáveis apenas durante a manobra de esforço.
Microcirurgia andrológica
A indicação da cirurgia começa por uma avaliação cuidadosa.
Avaliação e indicação
A varicocele é a dilatação de veias ao redor do testículo. Em alguns homens, está associada a alterações na produção dos espermatozoides, dificuldade para ter filhos ou desconforto na bolsa escrotal. Em outros, não causa sintomas. Encontrar uma varicocele não significa, por si só, que seja necessário operá-la.
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Começo pela história clínica e pelo exame físico. Examino os testículos e as veias da bolsa escrotal com o paciente em pé, em repouso e durante uma manobra de esforço. Quando o exame físico não é conclusivo, o ultrassom com Doppler pode complementar a avaliação.
Se a consulta é motivada por infertilidade, analiso também os espermogramas, a história reprodutiva e o contexto do casal. Em situações selecionadas, considero o teste de fragmentação do DNA espermático. Não indico uma cirurgia apenas porque o ultrassom mostrou veias dilatadas.
A varicocele é classificada clinicamente em três graus:
as veias são palpáveis apenas durante a manobra de esforço.
as veias são palpáveis mesmo em repouso.
as veias são visíveis e palpáveis em repouso.
Quando aparece no ultrassom, mas não pode ser palpada no exame físico, é chamada varicocele subclínica. O grau descreve o achado; não define sozinho a necessidade de tratamento.
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Na investigação da infertilidade, considero a correção quando encontro uma varicocele palpável associada a alterações no espermograma. A fragmentação elevada do DNA espermático também pode pesar nessa decisão, especialmente quando o espermograma convencional não esclarece completamente a dificuldade do casal. Interpreto o teste junto com a história clínica e os demais achados, nunca de forma isolada.
Também avalio a possibilidade de cirurgia quando há dor persistente que parece estar relacionada à varicocele. Antes, procuro investigar outras causas de desconforto na região.
Converso com cada paciente sobre o objetivo do procedimento. Podemos buscar melhora dos parâmetros seminais, redução da fragmentação do DNA espermático ou alívio da dor. A resposta varia, e a cirurgia não representa uma garantia de gravidez ou de desaparecimento completo dos sintomas.
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Faço uma pequena incisão na região da virilha, próxima à bolsa escrotal. Por esse acesso, identifico o cordão espermático e utilizo o microscópio operatório para trabalhar com suas estruturas ampliadas.
Durante o procedimento, trato as veias relacionadas à varicocele e procuro preservar estruturas importantes, especialmente a artéria testicular e os vasos linfáticos. É uma cirurgia que exige atenção contínua aos detalhes e experiência com a técnica microcirúrgica.
O microscópio amplia o que vejo. A experiência cirúrgica orienta o que devo tratar e o que preciso preservar.
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A operação costuma durar cerca de uma a duas horas, conforme a anatomia e os achados de cada caso. Quando a varicocele é bilateral, opero os dois lados, e o procedimento pode levar mais tempo. Esse período não inclui o preparo nem a recuperação da anestesia. Em geral, a alta ocorre no mesmo dia.
É comum haver sensibilidade, algum inchaço ou arroxeamento na região nos primeiros dias. Após a cirurgia, oriento os cuidados com o curativo e a retomada gradual das atividades.
Atividades leves e trabalho de escritório costumam ser retomados em poucos dias. Exercícios intensos, levantamento de peso e trabalho físico exigem mais tempo e são liberados conforme a recuperação. Minha orientação habitual é evitar atividade sexual por 14 dias.
No retorno, examino a cicatrização e ajusto essas recomendações. O tempo necessário pode variar, especialmente quando a cirurgia é bilateral ou quando a rotina do paciente exige esforço físico.
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Se o objetivo da cirurgia é melhorar a fertilidade, costumo solicitar o primeiro espermograma cerca de três meses após o procedimento. A produção de novos espermatozoides leva tempo; um exame feito logo depois da operação não mostraria adequadamente a resposta.
Dependendo do motivo da cirurgia e dos resultados anteriores, também posso reavaliar a fragmentação do DNA espermático e repetir os exames nos meses seguintes. Interpreto essa evolução junto com o paciente, considerando sempre o projeto reprodutivo do casal.
Consulta e planejamento
Na consulta, avalio o diagnóstico, explico as alternativas e organizo o tratamento e o acompanhamento de acordo com as necessidades do caso.